Autocontrole: Eis a verdadeira viagem que pode te levar aos lugares certos
“Certa vez falei sobre o valor do autocontrole e lembro-me de ter sido recebido com sarcasmo. Um colega ironizou: ‘Controle total? Que viagem… quem é que vive assim?’, ‘Que vidinha triste…’ etc.
Pois retorno agora ao que disse naquela época, e hoje com ainda mais convicção: Busquemos autocontrole, amigos. Autocontrole total. Porque é a auto-observação que precede o controle dos impulsos atávicos. E não falo isto com intuito de autocastração. Jamais!
Porque nessa caminhada, o que vejo é o oposto: Pessoas que acreditam estar livres, mas são escravas de seus próprios apetites, confundindo desejo com necessidade, impulso com verdade. Remédio com escape, cura com distração, medicinas com anestésicos.
Já vi gente perder tudo: negócios, famílias, saúde, dignidade. Vi vidas desmoronarem por falta de autocontrole emocional, financeiro, sexual, mental. Nos bastidores de quase toda disputa, toda quebra, todo colapso, toda ruína, há sempre algum descontrole não percebido, não aceito, não enfrentado, ignorado.
Daí na versão NEW AGE surge a fuga, a loucura; o abuso das medicinas, dos cogumelos, da ayahuasca, rapé, sananga, bufus, dmt, lsd, etc etc do sopro do et bilú e seu arco íris cósmico etc… nada disso é brincadeira!
Expandir a mente sem firmeza, certeza e egrégora sólida para sustentar o espírito é abrir portas sem saber o que pretende deixar entrar (ou emergir).
O caminho psiconáutico verdadeiro não é feito de deslumbres e experiências aleatórias. É feito de rigor interno, de discernimento, de prática diária do autocuidado.
Sim, eu disse: diária!
Você se alimenta todo dia, dorme todo dia, trabalha todo dia… e por que raios não cuida da sua psique, alma, energia, espírito… todo dia? E depois quer resolver 30 anos em 5 horas de ritual?
Eu olho nos olhos de muitos e acabo vendo mais do que digo, mais do que gostaria de ver: alianças espúrias, medos, interesses, falsidade, autoengano, jogos, vaidades disfarçadas de “curas”. Mas principalmente o descontrole.
Mas a vida é de cada um, e cada um pode estragá-la como quiser!
Relações reais, por exemplo, nascem de escolhas puras. Não é conveniência. Não é rede. Não é teatro. Se não houver verdade, também não há vínculo.
Por isso eu digo de novo:
Para não cair em fraquezas e ciladas emocionais, autocontrole. Porque só assim é possível trilhar um caminho elevado, lúcido e verdadeiramente libertador.
Pensemos menos nos delírios do ego e mais nos relacionamentos elevados, nos objetivos reais e no caminho autêntico.
Pensem menos em gratificações imediatas, retornos, adulações, elogio, e mais em relações elevadas, difíceis, mas sinceras, em objetivos autênticos, em um caminho real de consciência ainda que nua e crua.
Pensemos mais no que o nosso próprio silencio meditativo diário, por vezes, pode nos ensinar: domínio sobre si mesmo, clareza sobre os próprios impulsos, transcendência dos padrões automáticos. Porque sem autocontrole, qualquer expansão de consciência vira ilusão, e a verdadeira liberdade começa quando a gente não é mais refém de hábitos nocivos.
O caminho real é aquele que começa onde terminam as mentiras que contamos a nós mesmos.”
Por Daniel Fuller


